Por Leonardo Gontijo Vieira Gomes *
01/12/2011 - No último sábado (26/11) nossa presidente, ao ser indagada sobre a crise europeia, disse: “Neste momento, o que temos que fazer diante da crise não é nos atemorizar, parar de consumir e sim avançar, garantindo que o setor privado continue investindo e que o povo brasileiro continue consumindoâ€.
A colocação da presidente nos remete ao discurso do Presidente George W. Bush que em meio a comoção nacional do fatÃdico 11 de setembro foi a público incentivar a população a consumir.
Penso que o consumo não pode ser nosso maior indicador, tanto como nação quanto como indivÃduos. A noção de crescimento econômico a qualquer custo está sendo desconstituÃda pelo conceito do desenvolvimento sustentável. O indicador Produto Interno Bruto é questionado e indicadores alternativos e mais humanos despontam tais como o Ãndice de desenvolvimento humano e a felicidade interna bruta.
A cada novo ano, a cada novo Natal, somos “induzidos†a comprar, comprar e comprar através das intensas propagandas televisivas e pressões inclusive governamentais. Este mesmo procedimento ocorre no Dia das Mães, dos Pais, da Criança. Não estou aqui criticando o ato de presentear. Também gosto de dar e receber presentes, porém temos que agir com responsabilidade. Estamos vivendo um momento de preocupação com o nosso planeta Terra e não podemos fingir que está tudo bem e que não há com o que se preocupar. Temos que ser conscientes da nossa realidade e da nossa responsabilidade e não nos deixar levar pela mÃdia, como marionetes, a consumir mesmo sem necessidade.
O consumo, por definição, é uma atividade que pressupõe a satisfação - geralmente por intermédio de uma troca financeira - de um conjunto de necessidades mais ou menos essenciais dos indivÃduos. O cerne da questão é precisamente esse: quem é que determina o que é de fato uma necessidade essencial?
Penso que para sairmos da rotina insana do fluxo extrair, produzir e descartar teremos que nos tornar uma sociedade do consumo consciente. Somente assim experimentaremos chances objetivas de fazer frente à gravidade dessas múltiplas crises que interagem entre si. Crise do aquecimento global, do ar irrespirável, da desigualdade brutal de renda, da favelização incontida, da tributação regressiva, da escassez de democracia participativa, das doenças facilmente evitáveis, do stress hÃdrico, das queimadas criminosas, assim por diante.
A busca por um consumo consciente não pode ser considerado tema de ocasião, mas prova viva e robusta da racionalidade humana. O culto desenfreado do ego consumista esta definitivamente em xeque. Só não vê quem não quer.
Devemos refletir que a insaciabilidade do consumo em última análise surge como geradora de sofrimento inútil, falso sucesso e desequilÃbrios que podem encaminhar para a extinção da espécie humana.
Pense nisso neste Natal. Será que é o tamanho da embalagem e o número de presentes que nos tornará mais especiais ou importantes? Quem sabe consigamos desvincular o amar do presentear.
O protótipo de felicidade empurrado goela abaixo pelas propagandas, relações sociais e agora apelo governamental nos manipula de forma tal que se algo não sai do jeito que foi mostrado, gera uma insatisfação tamanha abalando as comemorações natalinas. Será este o verdadeiro espÃrito natalino? Acredito que não. A busca por um natal mais humano e com um consumo mais consciente é um caminho a seguir. O planeta, o bolso e a sociedade agradecem.
* Consultor ambiental e professor universitário
FONTE: Verde Ghaia