07/12/2011 - Uma das principais instituições sul-africanas, o movimento sindical, resolveu entrar no debate sobre a mudança climática, a seu modo: está demandando do governo a criação de 1 milhão de "empregos no clima" no paÃs nos próximos três anos.
A campanha foi lançada nesta semana em Durban, onde acontece a COP-17, a conferência das Nações Unidas sobre o clima. Ela é integrada por quatro dezenas de organizações da sociedade civil, entre elas a poderosa Cosatu (Congresso dos Sindicatos de Trabalhadores Sul-Africanos), base de sustentação do partido do presidente Jacob Zuma, o CNA.
Segundo seus organizadores, o objetivo é repor os empregos perdidos na crise de 2008/2009. Não há cifras confiáveis sobre emprego no paÃs porque o grau de informalidade da economia é alto.
Num auditório da Universidade de Kwa-Zulu Natal, provÃncia que abriga Durban, organizadores da campanha explicavam em zulu e em inglês a uma plateia de trabalhadores e agricultores (aos quais se dirigiam como "camaradas") os setores que poderiam ser beneficiados imediatamente.
"Não estamos falando de empregos verdes. Emprego verde pode ser patrulhar parques nacionais, por exemplo. Precisamos de empregos que realmente cortem emissões, como dirigir ônibus e reformar casas para economizar energia", diz Jonathan Neale, um americano que coordena a campanha no Reino Unido.
O custo das novas contratações é estimado pelos organizadores em 92 bilhões de rands (US$ 12 bilhões), mas a campanha estima que haja mais do que o dobro disso anualmente para financiar empregos no clima.
"Isso não é dinheiro que você desperdiça com um banco", diz Neale, afirmando que a proposta vai ajudar a economia ao aumentar o consumo e a arrecadação pública.
"Existe uma demanda reprimida imensa por consumo na Ãfrica do Sul", diz Dick Forslung, economista do AIDC (Alternative Information and Development Center), na Cidade do Cabo. "Isto não é um custo que nós possamos evitar."
Neale critica a falta de provisão de empregos que nos EUA ficaram conhecidos como do "colarinho verde" nos planos de estÃmulo à economia europeus.
"No Reino Unido o plano é cortar, cortar e cortar. Olhe o que aconteceu com a Grécia, com Portugal, com a Irlanda. Eles cortam, e se não conseguem arrecadar, cortam mais ainda."
O lançamento da campanha foi marcado por manifestações altermundistas, crÃticas ao capitalismo, ao "neoliberalismo", por seguidas referências à "luta de classes" --e por uma peça de teatro de um grupo americano que faz uma paródia da crise do clima, intitulada "Tripping on the Tipping Point", ou "Tropeçando no Ponto de Não Retorno".
FONTE: Folha