16/08/2011 - O Brasil deverá eliminar integralmente, até 2014, a emissão de hidroclorofluorcarbonos (HCFCs), um dos compostos de gases responsáveis por buracos na camada de ozônio e por intensificar o efeito estufa. O governo brasileiro contará com aporte de US$ 19,6 milhões para iniciar a execução do Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs. A verba acaba de ser aprovada pelo Comitê Executivo do Protocolo de Montreal e deve começar a ser aplicada ainda este ano, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente.
Os recursos serão investidos na conversão da tecnologia de empresas nacionais que usam os gases. O ministério estima que outros US$ 14 milhões devam ser investidos por multinacionais que atuam no país, e que deverão bancar sua própria conversão.
Presentes no cotidiano das pessoas das mais diferentes formas, os HCFCs são usados em máquinas de refrigeração, na fabricação de aparelhos de ar condicionado e na composição de espumas para a produção, por exemplo, de móveis.
Os cerca de US$ 20 milhões serão destinados ao pagamento de gastos com ações regulatórias (o que inclui legislação), projetos de substituição das tecnologias e também em projetos para o setor de serviços – especialmente os que se referem ao vazamento de tubulações em balcões de refrigeração em supermercados e em aparelhos de ar condicionado.
As metas de eliminação do HCFCs prevêem congelamento, daqui a dois anos, nos níveis de emissão de 2009/2010 – cerca de 19 mil toneladas métricas ou 1.239 toneladas de PDOS (Potencial de Destruição da Camada de Ozônio). Em 2015, o país deve fazer corte de 10%. Em 2020, redução de 35%; de 67,5% em 2025, chegando a 97,5% em 2030 e 100% em 2040. Essas metas foram definidas por quem e quando?
Como o Brasil não produz os HCFCs, terá que gradativamente reduzir a importação. A preocupação com a eliminação dos HCFCs está diretamente ligada ao impacto direto desses gases na saúde das pessoas e também no clima do planeta Terra. A destruição da camada de ozônio aumenta a quantidade de raios ultravioletas cuja radiação pode levar ao câncer de pele. Já o efeito estufa é apontado como uma das causas do aquecimento global e, consequentemente, todas as implicações climáticas, como o derretimento de geleiras e a mudança do regime das chuvas, por exemplo, na Amazônia.
Os HCFCs substituíram os clorofluorcarbonos (CFCs), considerados os vilões da camada de ozônio e que também contribuem para o aquecimento global. A eliminação será feita de forma gradativa e com a substituição por substâncias menos nocivas. "As pessoas não vão deixar de ter refrigerador ou ar-condicionado", pontua Magna Luduvice, coordenadora de proteção da camada de ozônio do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ela, não existe uma única substância capaz de substituir os HCFCs, mas um conjunto de alternativas que vão se adequar a cada setor: refrigeração doméstica, supermercados e frigoríficos, ar- condicionado (automotivo, de janelas), entre outros.
Com o banimento em 1997 dos CFCs, 740 milhões de toneladas de CO² (dióxido de carbono) deixaram de ser jogadas, anualmente, na atmosfera desde então. Mesmo tendo sido usados como alternativa aos CFCs, os HFCFs têm potencial de destruição 50% menor, mas ainda assim geram prejuízos não só para a atmosfera como também ao clima. Desde o ano passado, o Brasil conseguiu zerar a produção e importação dos CFCs. As medidas de redução na emissão são urgentes, uma vez que, embora os países participantes do protocolo tenham banido totalmente os CFCs, as antigas emissões continuam na atmosfera e ainda vão persistir por cerca de 80 anos.
FONTE: Estado de Minas